Onde Estamos Com a Cabeça?!

Nesta semana, recebi de Paolo Frigoli, diretor da Alexander Technique Academy, a reportagem abaixo, originalmente publicada em 2014 no Corrieri Della Sera.
Bastante pertinente em relação ao que venho pensando sobre as escolhas que humanidade vem fazendo. Por isso alterarei um pouco o título.

Divirta-se!

#AlexanderTechnique #TécnicaAlexanderPensarEmAtividade

Carregando uma criança de 8 anos na cabeça

O contínuo uso do celular e a inclinação da cabeça que adotamos para olharmos a tela influencia a carga sobre a coluna vertebral. Como sustentar sobre a coluna uma criança de 8 anos?

por Elmar Burchia

Onde está a nossa cabeça? Atualmente, ela costuma estar sempre voltada para baixo, para verificar os emails, escrever mensagens, navegar e jogar. Nossas mãos efetuam movimentos repetitivos no metrô, no trabalho e até mesmo enquanto caminhamos. As consequências para a cervical não são nada positivas. Quanto mais o pescoço se inclina, mais aumenta o peso que ele deve sustentar.

Uma pontada na coluna

Smartphones, tablets, celulares: atualmente, a hiperconexão representa um verdadeiro ônus. De fato, para usar o dispositivo, devemos obrigatoriamente inclinar o pescoço e isto pode exigir o mesmo esforço que exerceríamos ao sustentar sobre a cabeça seis sacolas de plástico cheias de alimento, ou uma criança normal de oito anos. Soa absurdo? Pelo contrário. O professor Kenneth Hansraj, da Spine Surgery and Rehabilitation Medicine de Nova York, mediu o peso exercido sobre a coluna em função da inclinação da cabeça (de 15 a 60 graus). O estudo, publicado na revista Surgical Technology International, revelou que a inclinação da cabeça a 60 graus para interagir com o Facebook, Twitter ou o WhatsApp, por exemplo, representa um acréscimo de exatamente 27 kg de pressão sobre a coluna cervical. A cabeça de um homem pesa entre 4,5 e 5,5 quilos na posição vertical; ao incliná-la para a frente, a força da gravidade imposta sobre ela aumenta e o pescoço se esforça. Em geral, não nos damos conta disso. Entretanto, com o tempo, as consequências se tornam indubitavelmente sentidas: o aumento da tensão sobre o pescoço e os ombros se traduz em dores, problemas da coluna e rigidez.

Peso de smartfones | cervical_593x443.jpg

O que deve ser feito

"Ao inclinar o pescoço à frente da cabeça, a força que ele deve sustentar atinge picos de 12 quilos a 15 graus; 18 quilos a 30 graus; 22 quilos a 45 graus e 27 quilos a 60 graus!", explica o pesquisador. Lembremos que, atualmente, passamos uma média de duas a quatro horas diárias com a cabeça inclinada, atentos aos nossos dispositivos móveis. "A perda da curvatura natural da cervical pode provocar a desgaste precoce, lacrimação, degeneração e possíveis intervenções cirúrgicas", afirma Hansraj. O que podemos fazer, então? Corrigir a postura antes que seja tarde demais. "Basta nos esforçarmos para olhar para o telefone celular mantendo a coluna em posição neutra e não tensionada, com as orelhas alinhadas com os ombros e as escápulas retraídas". Em seguida, obviamente, diminuir drasticamente o número de horas que passamos com a cabeça inclinada sobre os aparelhos. Em resumo, elevar o olhar*. Algumas pesquisas evidenciaram que uma postura correta aumenta até mesmo os níveis de serotonina e de testosterona, e reduz o cortisol, o "hormônio do estresse".

NOTA do Pensar Em Atividade:
* Eu diria que elevar o olhar, significa também levantar os braços ao nível do olhar.
Grato a Ricardo Dannemann pela tradução

20 novembro 2014 | 13:46

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