A Técnica Alexander e a Meditação

Ramsey | reservoir

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A professora Margaret Goldie me disse que, às vezes, o Alexander dizia às pessoas: “Escolha ficar quieto por todo o corpo, com a atenção especial ao pescoço e à cabeça.

Estar em silêncio e em equilíbrio com esse tipo de atenção inibitório enquanto mantém o comprimento e a largura de todo o tronco, permite que você se torne consciente do fluxo interno de pensamentos e sentimentos com distanciamento meditativo - sendo o campo de consciência dentro do qual os pensamentos e sentimentos se elevam e caem identificados com seus pensamentos e sentimentos. Este é um aspecto chave de muitas formas de meditação e a Técnica Alexander é uma grande ajda para esse processo. É reconhecido pelos instrutores de meditação que sentar, e não ficar deitado, tende a manter sua consciência mais alerta, e muitas vezes é dado conselhos sobre como manter a coluna e a cabeça eretas, mas também estar relaxado e, mesmo assim, conseguir permitir que a respiração flua livermente. Mas é claro que muitas pessoas sem o benefício da Técnica Alexander acham difícil seguir esses conselhos - como ficar totalmente ereto e, ao mesmo tempo, relaxado? A inibição e a direção da Técnica Alexander lhe dão uma maneira muito mais precisa de conseguir isso. Permitir que a respiração flua livremente, como assim? Lembro-me, antes da Técnica Alexander, de minha primeira participação em aulas de meditação. Alí aprendi que eu não tinha idéia do que essa prescrição poderia significar quando confrontada com a irregularidade da minha própria respiração.

Optar por ficar quieto em todo o corpo, com atenção especial para o pescoço e a cabeça, permite observar a relação entre o fluxo interno de pensamentos e sentimentos - a fluxo mental - e os padrões de tensão muscular sutis, particularmente do pescoço, cabeça, rosto e respiração. Frequentemente, a falatório mental está associado a um ligeiro aperto no pescoço, garganta, mandíbula e língua como se você estivesse falando consigo mesmo (e é claro que você está!). Às vezes, pedir que os padrões sutis de tensão muscular aqui sejam desfeitos, ajuda a acalmar os processos mentais. Outras vezes, você pode achar que funciona ao contrário - mentalemente recuando (voltando para as costas) para não ser absorvido pela turbulência interna dos pensamentos e emoções, ajuda a diminuir as tensões musculares.

Ao liberar-se da sua base de apoio enquanto deixa as costas se abrirem para respirar, permitindo que as costelas se moval pleas costas e pelos lados para a expiração e inspiração, é parte integrante de permitir que pensamentos e sentimentos entre e saiam sem sermos dragados por eles.

Podemos dizer que ser puxado para a frente em nossos pensamentos e sentimentos, ou atraído para dentro deles, é uma maneira metafórica de descrever o que muitas vezes acontece na meditação e, portanto, com mais frequência na vida diária! Entranto, ao praticar esta meditação, digamos, alexanderiana você descobrirá que a sensação interna, “mental” de ser puxado para frente e para baixo no fluxo turbulento do conteúdo de sua consciência, é o interior de um puxão físico simultâneo (ou colapso) para frente e para baixo, em termos, também, alexanderianos. Eles são o interior e o exterior do mesmo fenômeno. É também parte desse fenônimo a perturbação exercida sobre sua respiração - provavelmente empurrada para dentro do abdômen, espelhada sendo sugada para o redemoinho de pensamentos/emoções. Quando você percebe que isso aconteceu, liberar e direcionar sua atenção para atingir seu comprimento e largura naturais, perimitindo que as costelas se movam para respirar livremente se é, quando praticado profundamente, que o gesto ou atitude postural proporcionando o recuo interno, reconectando-se ao espaço da consciência, e não ao seu conteúdo. O processo alexanderiano, aparentemente “físico” só pode ser superficial se não for uma “atitude” interna e externa, no sentido mais pleno dessa expressão. E prática de apenas uma versão superficial muitas vezes leva a um conflito, à medida que divergem as atitudes externas e internas.

Essa “Meditação Alexanderiana” é uma prática muito valiosa para se tornar mais e mais familiar com seus próprios padrões mentais/emocionais/musculares como um campo unificado. É clar que isso também pode ser praticado no Repouso Ativo (em semi-supino, mas há uma boa razão pela qual a maioria das disciplinas de meditação prefere o sentar ereto. Traz maiores desafios para se autossustentável (novamente um termo com ressonância em mais do que simplesmente níveis físicos) e maiores oportunidades de autoconsciência.

Confira as atividade de John Nicholls em SP e no RJ