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A Técnica Alexander
não é uma terapia!
Ela é
um método educacional revolucionário, criado pelo ator australiano
Frederick
Matthias Alexander, há mais de 100 anos e que tem sido aplicado
com enorme sucesso em diversos países do mundo.
Sendo
um método que ensina as pessoas a usarem a si próprias em
suas atividades diárias, a Técnica Alexander contribui para
evitar tensões desnecessárias, promovendo harmonia e maior
vitalidade, oferecendo a cada pessoa a possibilidade de aprender a organizar
e harmonizar mais conscientemente a relação entre mente,
corpo e o ambiente em que vive.
Somos seres de hábitos. Agimos constantemente por hábito.
Muitas vezes, fazemos coisas que, se pudéssemos escolher, não
faríamos.
Se tivéssemos maior consciência de que podemos exercitar
um pouco mais efetivamente nosso livre-arbítrio, poderíamos
escolher, por exemplo, contrair menos grupos musculares para desempenhar
determinadas atividades, ou nos esforçaríamos menos para
corresponder às expectativas dos outros; talvez tivéssemos
maior habilidade para estarmos conectados com o presente.
Porém, uma das razões da nossa falta de habilidade de exercitar
o livre-arbítrio reside no fato de que somos escravos de nossos
hábitos.
O que
pensamos e cremos está cristalizado em nossos hábitos.
Como
todas as nossas atividades, sejam elas emocionais, físicas ou mentais,
são traduzidas em contrações musculares, nossa vida
está sendo traduzida, o tempo todo, em padrões posturais
habituais.
É exatamente nesse âmbito que a Técnica Alexander
pode ser muito valiosa.
Sem propor exercícios físicos mecânicos, incorporar
a prática do autoconhecimento que a Técnica Alexander nos
oferece na nossa vida diária pode trazer muitos benefícios,
tais como a melhora de nossa saúde e bem-estar assim como a potencialização
de nossos talentos.
Equilíbrio mental, físico,
emocional e energético
Poderíamos
começar a entender um pouco a Técnica Alexander ao esclarecer
o conceito de postura.
A postura pode ser entendida como uma atitude interior, psicofísica,
inconsciente. Com essa atitude, tentamos nos manter equilibrados para
melhor desempenhar nossas tarefas diárias ou para, no mínimo,
exibirmos uma aparência mais equilibrada.
O que tradicionalmente compreendemos como má postura é um
entendimento limitado, e equivocado, de uma condição psicofísica.
Nossa condição
energética traça um quadro mais complexo, que inclui nossas
funções mentais, emocionais, espirituais e não somente
físicas.
Andar ou sentar torto de uma maneira menos apropriada, que mais cedo ou
mais tarde acarretará dores ao limitar a respiração
e o movimento, é só a resposta física da nossa atitude
interior.
Como se dá?
fator mecânico
Nossa estrutura óssea
tem, entre outras, a função de promover espaço dentro
de nosso organismo para que todos os nossos sistemas e órgãos
possam funcionar adequadamente.
Assim, nosso
sistema muscular como um todo é "esticado" em todas as
direções a partir do centro, proporcionando uma expansão
geral.
Sendo uma estrutura articulada, o esqueleto é equilibrado através
da relação simbiótica com a musculatura.
Coordenados, esses dois sistemas podem manter as articulações
dos tornozelos, joelhos, coxo-femural, bacia, coluna vertebral e, fundamentalmente,
a atlanto-occipital (da cabeça sobre a coluna) equilibradas.
A atenção que conseguimos dar para equilibrar nosso esqueleto,
digamos em pé, faz parte dessa relação simbiótica
pois quanto mais atenção direcionada conseguirmos oferecer
ao organismo, mais equilibrados estaremos e, portanto, menos esforço
muscular precisamos fazer.
Assim equilibrado, nosso organismo está com sua musculatura tonificada
e, portanto, não desnecessariamente tensionada.
Isso produz uma agradável
sensação de bem-estar.
Para conseguirmos estar equilibrados constantemente enquanto nos movimentamos,
executando nossas tarefas diárias, se faz necessário desenvolver
e praticar essa constante, consciente e relativa atenção:
a de uma expandida concentração. Ou seja, agir, sempre que
escolher, com o seu centro na ação.
Isso poderia significar
o ser, que faz qualquer atividade, no centro de cada ação
por ele desempenhada, ao invés de ele considerar a atividade em
questão o foco absoluto de sua ação.
fator emocional
Assim sendo, má
postura pode ser resumida como equilíbrio precário.
Nosso estado emocional
também faz parte da relação simbiótica entre
corpo, mente e o ambiente em que vivemos.
Ele expressa nossa
personalidade: na postura do nosso corpo, nos nossos movimentos, comportamento
e intenções.
Quando estamos nos sentindo bem, nossa saúde parece estar boa e
sentimos nossos movimentos livres.
Por outro lado, distorções
geradas por contrações musculares desnecessárias,
enquanto tentamos simular o equilíbrio, afetam negativamente nosso
estado emocional.
O estresse, por exemplo,
não é um problema, ele é
a resultante de um acúmulo de respostas traduzidas em contrações
musculares geralmente desnecessárias.
O problema, portanto, não é nossa postura ou o estresse,
o problema é a nossa falta de habilidade de inibir (na acepção
fisiológica, e não freudiana, da palavra) para escolher
as respostas que realmente queremos consentir aos estímulos dados,
controlando melhor assim o estresse.
É precisamente
aí, além de alguns outros fatores, que a Técnica
Alexander se diferencia de qualquer outro método que busque a mudança,
ou propõe buscar um caminho eficiente para o auto-conhecimento,
crescimento pessoal e desenvolvimento da potencialidade humana.
Como à felicidade, ao equilíbrio perfeito não se
chega: alcançá-los é uma busca constante.
Por nos preocuparmos mais com nossas tarefas diárias do que com
nosso bem-estar, esquecemos que a felicidade, assim como o equilíbrio,
estão em toda a parte e a todo momento.
E por querermos
sempre atingir resultados positivos, como por exemplo sermos felizes ou
estarmos equilibrados, assim que ficamos alegres, ou acreditamos ter atingido
o equilíbrio, para garanti-los, nos fixamos nesse estado. Ou seja,
os perdemos.
Desta forma, na tentativa
da busca direta do equilíbrio ou da felicidade, perpetuamos as
desnecessárias contrações musculares que nos desequilibram
e nos fazem insatisfeitos.
E para reverter essa
condição, o único caminho possível é
parar de fazer o não desejável para que o melhor aconteça.
fator
primordial
Nosso pescoço pode ser considerado como um órgão
do equilíbrio. Contraí-lo desnecessariamente altera nosso
senso de equilíbrio.
Como ainda não
estamos acostumados a desejar, consciente e eficientemente, que nossa
cabeça esteja equilibrada livremente sobre a coluna vertebral,
tensionamos constantemente nosso pescoço.
Aprender a observar
a condição de nosso pescoço e sua coordenação
com a cabeça, tronco e membros pode contribuir muito para a eficácia
de nosso equilíbrio, melhorando assim a qualidade de nossos movimentos.
Seria desejável que aprendêssemos a trocar um relativo estado
de medo (por exemplo: de cair) em que vivemos (pois tensionamos nosso
pescoço para nos dar a sensação de estarmos equilibrados
e seguros, em última instância, para impedir que caiamos)
por um relativo estado de alerta para que não percamos a espontaneidade
de nossos movimentos e reações.
Esse relativo estado de alerta contribui para adaptarmo-nos às
inevitáveis mudanças impostas pelo nosso dia-a-dia.
Saúde
Nosso organismo é
maravilhoso!
Assim que paramos
de contrair desnecessariamente nossos músculos, diminuímos
também a pressão desnecessária sobre todos os órgãos
dos sistemas digestivo, circulatório e respiratório.
Com isso, paramos
de restringir a circulação de energia em nosso corpo e dos
fluidos que circulam pelos "tubos" condutores de ar e sangue
em todo o nosso organismo.
A pressão arterial
é regulada.
As
funções do cérebro, maestro de todos esses sistemas,
ficam mais eficazes.
Desenvolvendo indiretamente
o relativo estado de alerta proposto pela Técnica Alexander, conseguimos
resultados diretos e positivos nas funções vitais e neuro-musculares
de nosso organismo, promovendo alterações significativas
na nossa saúde, no nível de nossa atenção
e energia vital.
Potencializa nossos talentos
Quanto mais eficazmente
desempenharmos nossas funções básicas, de equilíbrio
mental, físico e energético, mais equipados estaremos para
desempenhar bem o que nos propusermos a fazer.
As idéias fluem melhor, nossos membros obedecem melhor às
nossas vontades, e nossas energias internas intuitiva, emocional e mental
ficam mais conectadas com nossas intenções.
Donas-de-casa, músicos, atores, esportistas, artistas plásticos,
psicólogos, homens de negócios, entre outros, se utilizam
muito da Técnica Alexander para melhorar o desempenho de suas atividades.
Aprender a Técnica Alexander é transcender a repetição
de exercícios físicos mecânicos para sentar bem ou
andar corretamente.
É praticar no dia-a-dia a expansão da concentração
e da conscientização das próprias atitudes, contribuindo
para nos manter equilibrados, o que por sua vez, tonifica nossa musculatura
como um todo, ao invés de simplesmente relaxá-la.
Esse sistema é o mais eficiente recurso que temos não só
para curar alguns males comuns de nosso tempo ou prevenir potenciais doenças,
mas também e, principalmente, para nos re-educarmos.
Histórico
Apesar de revolucionária,
a Técnica Alexander tem mais de cem anos de prática e estudo
pelo mundo.
Foi desenvolvida por Frederick Matthias Alexander (1869-1955), na Tasmânia,
no final do século XIX por uma questão emergencial.
Alexander, um apaixonado pelos trabalhos de Shakespeare, perdeu gradativamente
a voz, seu instrumento de trabalho, e a partir daí precisou compreender
melhor que não estava apenas no físico a causa principal
de seu problema.
Depois de um longo, persistente e metódico processo de auto-observação,
Alexander acabou por criar o que o educador americano John
Dewey denominou de "uma fisiologia do organismo vivo".
Depois de quase dez anos de dedicação e sistematização
de sua técnica, Alexander e seu trabalho foram recomendados a respeitados
e influentes médicos da capital do então Império
Britânico, para onde se mudara e estabelecera, em 1904.
Ainda em Londres, onde viveu até seu falecimento, Alexander e seus
auxiliares abriram, em 1930, o primeiro curso de formação
de sua técnica.
Hoje ela está presente em todos os continentes, com alguns milhares
de professores e sendo ensinada nas mais renomadas e respeitadas instituições
educacionais de artes do mundo.
Curiosamente, mesmo após um derrame cerebral, Alexander recuperou-se
completamente e continuou a trabalhar e difundir seu método até
o seu falecimento, em 1955.
Um processo de descoberta
Em aulas individuais,
o aluno é estimulado, mediante toques leves das mãos e direções
verbais do professor, a desenvolver um certo nível de atenção
ao que está se passando no momento em todos os níveis, e
principalmente, na relação entre sua cabeça, pescoço
e demais partes de seu organismo. Isso contribui para uma ausência
de tensão.
Colocando em prática no seu dia-a-dia a atitude vivenciada nas
aulas, o aluno inicia um processo de descoberta que poderá ser
utilizado, se ele assim o desejar, como uma ferramenta bastante eficaz
de desenvolvimento pessoal.
Em outras palavras, ele aprende a usar o seu organismo como todo mais
eficientemente.
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